Eu adoro uma polêmica.

Hoje me transformarei em um assassino. Em um herege também. Hoje discorrerei sobre aborto.

É amiguinhos. Interrupção de gravidez. A legislação brasileira autoriza o aborto em casos de risco de vida a mãe e em casos afirmadamente decorrentes de estupro.

A discussão vem à tona hoje tendo em vista o caso da menina de NOVE anos que apareceu grávida em Alagoinha (PE). Como se não bastasse o absurdo da idade da CRIANÇA sabemos que a gravidez decorreu de um abuso sexual cometido por seu padrasto. Atividade recorrente desde os seis anos da menina.

A menina obviamente, acompanhada de sua mãe como representante, teve a gravidez interrompida. Ah. Ela estava grávida de gêmeos. O que torna ainda mais complexo o processo.  Pelas informações que retiro do site da Globo o aborto foi feito através do medicamento Citotec, facilmente encontrado em qualquer cidade, aqui na minha inclusive com vendedores ambulantes.

A mídia deu uma bela atenção ao caso. Mais do que normal. E isso mobilizou a Igreja. Ahhh a Igreja católica. Tentou através de seu advogado impedir o procedimento, excomungou os médicos e agora vai tentar indiciar a mãe da guria por ter concordado com o procedimento.

Poisé amigos. Esta é a história. Agora gostaria de falar sobre algumas coisas inerentes a este caso e a minha personalidade.

Sou estudante de direito. Sou católico. Não sou freqüentador assíduo de igrejas, missas, novenas e coisas do tipo. Mas tenho a minha fé. Acredito em algo maior sem dúvida, mas perco a fé na Igreja a cada segundo que passa. E com todo respeito a quem gosta, mas todas as outras religiões carecem pra mim de sentido prático. Muitas usam a fé das pessoas em benefício próprio.  O que me revolta. E tendo isso tudo na cabeça eu venho aqui e afirmo: Sou FAVORÁVEL ao aborto. E não só nas hipóteses relacionadas na legislação brasileira. Tenho pra mim, e sei que isso é extremamente complexo e mal aceito entre quase todas as pessoas, que o aborto é uma opção da mãe. Que decorre de sua liberdade sobre SEU corpo. Defendo o aborto feito por uma mãe que não quer ter a criança, DESDE QUE, até os quatro meses de gravidez. Porque Matheus? Por um simples motivo. Acredito que ter vida não é ser um monte de células com potencial pra se tornar uma pessoa. Ter vida é ter sistema nervoso. É ter sistema circulatório próprio. Enfim. É em outras palavras NÃO DEPENDER ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DA MÃE PARA VIVER. Após os quatro meses de gestação isso já não ocorre. Ou seja. Enquanto o bebe depender da mãe para sobreviver eu defendo a escolha da mãe de interromper uma gravidez indesejada.

E mais. Em um estudo facilmente confirmado na internet encontramos algumas constatações muito interessantes. 1) Abortos são mais freqüentes do que imaginamos. 2) São feitos de formas absurdas e decorrem  em danos físicos ou até em morte da mãe. 3) O preço de uma curetagem de correção, pra arrumar a cagada feita com agulhas de tricô por exemplo, é MAIOR do que o preço para se fazer um aborto clínico bem feito. O SUS que paga.

Sei que essa opinião não é partilhada por quase ninguém. Já falei dela antes de fui tremendamente repreendido. Mas cá estou eu. Em um espaço meu e da Bruna. Apenas dando a minha visão disso tudo. Não pretendo que ela seja universal. Não quero “converter” ninguém. Só preciso desabafar quando vejo coisas desse tipo.

Opa. Mas não virei herege ainda….

Ah. Mas agora eu vou virar. Me digam uma coisa. A Igreja ficou tão revoltada com o caso porque? Porque tem 2 fiéis a menos? Porque vai perder dízimo? Ou porque acha que o direito de explorar e abusar sexualmente de crianças é só deles?

é amigo. Nada fácil

Te amo bebê

Do polêmico.

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9 Comentários

Arquivado em Dele

9 Respostas para “Eu adoro uma polêmica.

  1. Bom, quanto a parte do aborto, eu simplesmente sou a favor quando é um caso como o da menina de nove anos. Imagine, ela deve brincar de boneca ainda, além dela correr riscos de morrer na operação, imagine a vida de duas criança com uma mãe que tem idade pra ser a melhor amiga delas 😡
    quanto a gravidez indesejada/ não planejada, eu sou contra. Não queria, tivesse se prevenido. Não se preveniu, aguenta as consequências.
    Qualquer coisa, tem tanta gente por ai querendo um filho e não conseguindo engravidar…
    beijos :*

  2. Poisé. Mas acidentes acontecem né. E tem muita gente sem noção de contracepção por aí. Pode parecer coisa de outro mundo mas é super comum. Minha mãe é enfermeira, trabalha em um posto de saúde onde se dá assistência a pessoas carentes e tal. Não foram poucos os casos de mulheres que ganham anticoncepcionais e dão pros maridos tomarem. É complicado. E essa coisa da adoção é fato. Tem muita gente que não pode mas quer ter filhos. Mas nem todos são Brad Pitt´s e Angelina´s que adotam crianças de outras nacionalidades e “raças”. O estereótipo de filhinho branquinho, olho azul e cabelo loiro ainda é o mais procurado. Aí fica ruim também.

  3. Júnior

    Acidentes acontecem? Que pensem bem antes de abrirem as pernas! ¬¬’

    E isso não deve ser cobrado só da mulher. Do homem também, que aceita praticar sexo sem proteção. Existem N opções de anticoncepcionais, e camisinha tem até em posto de saúde se o problema for “poder aquisitivo”.

    Muitas pessoas podem não ter conhecimento a cerca dos métodos contraceptivos, o Brasil inteiro não é uma metrópole informatizada onde todos tem acesso à informação. Tem gente muito carente, sim. Mas te garanto que o número de gravidezes interrompidas é muito maior.

    Se for olhar desta maneira, então, essas pessoas carentes ou desinformadas não podem abortar. Se elas não tem conhecimento de métodos contraceptivos, provavelmente não terão a respeito dos métodos abortivos, principalmente no que tange as questões financeiras.

    Se bem que eu duvido muito que existam pessoas que se deixem engravidar por não serem bem informadas. Por mínimo que seja o conhecimento que ela possui, todos nós sabemos que f* sem proteção pode engravidar e ainda sim, sempre tem um que vai lá e pá. É o que a minha mãe sempre diz: “Fazer é bom, mas assumir…”

    Não há problema em “ir lá e pá” se você assumir teu filho depois, mas nada justifica o aborto, exceto os casos de estupro ou risco de vida.

    E mesmo que até os quatro meses tenha toda aquela história de que o feto ainda não sofre e blablabla, pra mim não deixa de ser uma agressão à vida dentro de ti. Não deixa de ser uma agressão ao teu corpo. À tua moral.

    Imagine como se fossem vocês: Sem instrução, sem dinheiro, sem condições. A Bruna engravida e vocês não tem como assumir tal responsabilidade. Ou melhor, vocês não querem esse filho. Não haveria dentro de ti, uma pontinha sequer de… ?

    Porra. Abortar um filho, POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE, independente de que período esteja a gestação, é a mesma coisa que matar. E eu não consigo encontrar justificativa.

    Francamente.

  4. Júnior

    Eu acho que me “emocionei”. Não quis desrespeitar a tua opinião, mas isto é algo que sempre me revolta.

    Abraços!

  5. Que isso cara. Eu entendo perfeitamente tuas colocações. E é exatamente isso que a maioria das pessoas pensa. Respeito a vida. Tá aí uma questão bem relativa na minha visão. A que vida? A de um filho não desejado? Todos nós que temos problemas com nossos pais e mães sabemos como é viver nessa situação que não é NEM DE LONGE parecida com a hipótese de não ser querido. E no mais o DIU, a pílula do dia seguinte etc… também são abortivos e legalizados no Brasil. O que eu acho relevante pra nossa discussão é sabermos que não existe isso de ser contra aborto. Isso é filosoficamente impossivel tendo em vista que são situações que ocorrem todo o dia ao nosso lado. Nessa discussão só existe uma opção : deixar as coisas como estão. Deixar mulheres enfiarem agulhas no buxo, deixar tomarem citotec e morrerem de hemorragia OU DESCRIMINALIZAR ( essa é a palavra ) a prática do aborto. Afinal de contas, na minha visão, isso cabe a cada casal decidir. E se a opção de cada pessoa é maior do que tudo nesse mundo, tendo em vista que o livre arbitrio é defendido até pela igreja, nada mais correto do que dar condições de sugurança de saúde para quem decidir assim. Isso não é uma questão filosófica, religiosa, psicológica. E sim de SAÚDE PÚBLICA. Minha mãe, como eu disse antes, trabalha em uma zona de baixa renda. Moro em uma cidade com 250.000 habitantes, e ela mais do que ninguém pode dizer o que acontece por lá. Por semana são 2 casos de aborto feito em casa. E SEMPRE COM COMPLICAÇÕES. O aborto existe. O aborto acontece. O aborto é uma opção da mãe. Com o aborto legalizado com certeza se fosse no meu caso eu teria sérias dúvidas entre fazer ou não. Tenho certeza que a Bruna seria contra por exemplo. Mas eu quero ter o poder de decidir. E quero que os outros o tenham também. Antes isso do que sair colocando filhos no mundo sem pensar no amanhã.

    Eu acho demaiis esses debates. Me empolgo. Acho lindo ler o que os outros pensam a respeito. Então não se apoquente Júnior.

    Matheus

  6. Cara,condordo com vc.
    Tipow,aquele caso lá da menina…Imagina uma crinaça cuidadando de outras duas?
    E o pior,sempre q a mãe olhar para a criança vai lembrar de tudo oq ela passou,de tudo oq ela sofreu,oq ela viveu forçadamente.
    Eu sou a favor do aborto nos casos de estupro. Só.
    Quando há risco da mãe morrer,eu acho que quem tem q decidir eh a mãe.
    Eu sou católica,mas discordo de algumas coisa,e acho que muitas vezes a igreja católica é meio “intransigente”.
    Eu sei que existem casos e casos,mas ao que se refere a essa garota,eu sou a favor do aborto sim!
    Outro caso eh qndo a mulher engravida por falta de cuidado e depois que abortar,spu totalmente contra,e acho muito errado..
    Se fez,tem q assumir.

    Bjão

  7. Selinho pra tu no meu blog! BJão

  8. Neo

    Ih, polemizou…

    Mas valeu..

    Abraço!!

  9. adorei a ressalva final
    igrejas fdp!!

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