Eu tenho tanto, pra lhes falar…

Mas com palavras não sei dizer.

Galera. Crise criativa na área. Aliás, nem chega a ser uma crise. Tenho uma série de posts na cabeça, altamente profundos sobre mim, mas no momento não estou conseguindo lidar bem com a redação dos mesmos. Sei o que quero dizer, sei onde quero dizer, só não sei como dizer.

Os posts se referem a minha relação com meu pai. Que foi fortemente abalada no fim dessas férias. Situação que me rendeu algumas crises psicológicas e tal. Por isso é tão difícil falar sobre isso ainda. Então resolvi fazer um Previously on Lost pra vocês entenderem quem sou eu na relação com minha família.

Meu pai é um cara que nasceu pobre, com 2 irmãos. Muito cedo teve que carregar a responsabilidade da família nas costas tendo em vista que meu avô era um borracho tradicional e a casa estava cheia de dívidas. Começou a trabalhar muito cedo e sempre teve o sonho de cursar medicina aqui na federal. Até hoje não sei dizer se por inapetência ou por falta de direcionamento ele rodou 5 vezes no vestibular até mudar de idéia. Cursando matemática em uma particular ainda obscura na cidade.

Participou do movimento estudantil e blá blá blá. Coisa que o faz muito orgulhoso. E a mim também.

Passou no concurso do Banco do Brasil, que naquela época era garantia de vida boa. Status e tudo mais. Porém neste ponto eu acho que ele condenou sua vida futura à mediocridade. Assim como condenou a vida do resto da família ao stress constante. Não conheci meu pai antes de 1988 obviamente. Mas tenho certeza absoluta que o Banco do Brasil o mudou como pessoa. O tornou amargo, stressado, com mania de perseguição. Enfim. Imagine trabalhar 25 anos em um lugar e não subir quase nada na escala. Imagine ver simples prostitutas terem cargos maiores por abrirem as pernas pra gerentes. Enfim. Não deve ter sido fácil mesmo.

Vejo isso como a fonte da personalidade do meu pai hoje. Nesta viagem eu cheguei a conclusão que ele não é capaz de demonstrar nenhum sentimento por ninguém. Se os sente não demonstra. E por ter sido passado pra trás constantemente ele se tornou uma pessoa intransgigente, que coloca seus interesses acima dos interesses dos outros. Se acha superior e tudo mais.

Minha mãe já é uma pessoa absolutamente diferente. Nasceu no interior, 6 irmãos, educação rígida católica. Passou no vestibular aqui com apenas 16 anos. Se formou com 20. É louca pelo trabalho. Sente amor pelo que faz. Tem alguns problemas como toda pessoa, mas ao contrário do meu pai, isso não influencia o jeito dela de ser: afetuoso, carinhoso, ponderado.

E tudo que virá no próximo post gira em torno disso. Eu querendo ser mais minha mãe do que meu pai. E vendo em mim mais do meu pai do que da minha mãe.

Terror não?

Te amo bebê

Matheus

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9 Comentários

Arquivado em Dele

9 Respostas para “Eu tenho tanto, pra lhes falar…

  1. Aguardamos as cenas dos próximos capítulos ;}
    Fooorça amor, estou aqui e tu sabe disso.. Pro que der e vier!!
    Te amooo demais!
    Beijãooo, Bru

  2. Júnior

    Hm, Matemática em uma particular obscura me lembra alguém que eu conheço. 😛

    Eu não iria comentar porque durante esta semana quase fiz uma autobiografia no Fraulein, mas…
    Convivo com sentimentos parecidos, mas a situação é inversa. Minha relação com o meu pai é ótima. Desde guri, desde sempre. O “problema” é com a minha mãe. Discutimos, divergimos e até cortamos relações. E assim como o teu pai, se a minha mãe sente alguma coisa, não demonstra.

    Não sei se a vida a ensinou a ser assim…

    Mas eu sei que ela sente. E o que me deixa igualmente aterrorizado é que eu tenho muito mais da personalidade dela que de mim mesmo.
    A única diferença entre nós dois é física.

    Tenho muito orgulho da minha mãe, pela força de vontade dela em sair de casa e estudar, em ser presença ativa em uma época da História em que mulher não tinha muita vez… Tenho até orgulho da “boca grande” dela bem no Governo Geisel, quando o “Pop” da época era exilar professoras metidas ou levar pra torturar no DOI/COI, mas…

    É sempre tudo muito complicado. Quem sabe um dia eu até escreva sobre nós dois.

    Portanto, tenha paciência. Por mais que seja bastante difícil a gente tem de lidar com os fatos.

    Abraços!

  3. Poxa Matheus, tenho muito pouca afinidade com meu pai tbm.
    Não sei mto bem onde isso se perdeu. Não sei onde fiquei no Hall da ultima colocada no quesito: filha preferida, visto que sou a primogênita e que nunca xinguei-gritei-desrespeitei nem nada dessas coisas terriveis que me fariam ficar onde estou.

    Engraçado – hj – ver como minhas irmãs tem tudo que querem dele. E como tudo é dificil pra mim. Nem conto com ele nunca.

    A parte boa. Meus pais saum separados desde sempre. eu era mto pekenina. e nem sinto falta, nem nada.

    É só meu pai. E, aqui, sinceramente, tenho elos mais fortes escolhidos por mim nessa vida que os que tenho com ele.

    No mais. Gosto dele – do meu jeito. É meu pai. Tal, blá blá blá. e Sorte pra vc.

    inté!

  4. oi Matheus, qual é o livro??? fiquei curiosa….e olha q escrevi essa frase ontem por pura inspiração……..beijos

  5. Fee

    Eu sei como é isso. Sei mesmo. Sei por que já vivi assim. Eu senti uma ponta de amargura, rancor, talvez, em seu texto. Mas não se sinta assim. Determine um foco em sua vida, no resto, é só não esquecer que o amor é maior que tudo. Tenho certeza que a Bruna vai ajudar bastante nisso.
    Sorte em tudo.

  6. Achei lindooooooo beijos para voces !!!!

  7. Meme pra vc no meu blog!

  8. Gardênia Holanda Maciel

    hum… bonita a forma de vc enxergar seu pai. Pelo menos vc tenta compreendê-lo e isso é bom!

  9. Ah, sei como que é.
    Relações com os pais quase sempre são dificeis. Cada familia tem o seu problema. O mais dificil é como você disse, querer ser mais como um, mais na verdade ser mais como o outro ._.
    beeeijos :*

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